sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Festa da Vinha e do Vinho – Que Futuro?



A Festa deste ano era aguardada com enorme expectativa, pois seria o primeiro ano em que esta se realizaria num espaço especialmente concebido para o efeito, o “Pavilhão Multiusos”.
O “Pavilhão Multiusos “- de multiusos apenas poderá ter o nome – confirmou o que o PCP sempre disse: o projecto era demasiado caro para as soluções que iria apresentar. Por quatro milhões de euros esperava-se muito mais desta infra-estrutura e uma maior possibilidade de utilização e polivalência.

O projecto Festa da Vinha e do Vinho de Borba foi desenvolvido a partir do reconhecimento de um produto de excelência, o vinho. A sua promoção aliou-se às potencialidades turísticas e gastronómicas do concelho, ao seu património natural, arquitectónico e cultural, enfim, às suas gentes e saberes.
As primeiras edições da Festa da Vinha e do Vinho procuraram que estes objectivos fossem alcançados, não fechando a Festa num único espaço, antes diversificando os locais e as iniciativas, através da realização de exposições e espectáculos em diferentes espaços de elevado valor arquitectónico, procurando que toda a vila e todos os Borbenses se sentissem em festa, na sua Festa.

Os espaços de exposição no interior dos Pavilhões estavam destinados à promoção e venda de produtos locais e regionais - enchidos, queijos, pão e azeite - e igualmente, à divulgação do artesanato local e regional nos seus diversos materiais - cortiça, madeira, barro e outros – complementando-se esta oferta sempre que possível, com demonstrações ao vivo.
O espaço destinado às tasquinhas era entregue às tascas da região, na sua maioria representantes do concelho de Borba, envolvendo-os na promoção da gastronomia local e regional, através da feitura e apresentação de pratos e petiscos tradicionais.
Os vinhos eram o patrono da Festa e por isso estavam sempre em lugar de destaque. A sua representação, quer em número de adegas, quer em número de marcas foi sempre crescendo ao longo dos anos. Nestes, mereciam lugar de destaque, os produtores do concelho, assumindo-se alguns, como patrocinadores, e outros - a Adega Cooperativa – como membro da comissão organizadora.

Podemos, pois concluir, que a Festa da Vinha e do Vinho desempenhou um papel extremamente importante na vinda de novos visitantes regionais, nacionais e internacionais à descoberta do concelho, dos seus produtos, da sua gastronomia, do seu património, das suas gentes, numa festa construída para mostrar Borba e o que de melhor temos para oferecer a quem nos visita e procura.

As últimas edições da Festa da Vinha e do Vinho têm vindo a descaracterizar o evento, e hoje assistimos à realização de uma iniciativa que cada vez mais se assemelha com todas as outras. É preciso parar para pensar.

Os produtos e os produtores locais – enchidos e queijos - estão cada vez menos representados na Festa. Porquê?
Onde estão as tascas do concelho? Será que os visitantes da Festa da Vinha e do Vinho vem às tascas da Festa à procura de Leitão à Bairrada? De posta Maronesa? Ou vem à procura da gastronomia alentejana, das migas, das burras, do ensopado, da caça etc.…
Como se justifica a inusitada promoção da Ginjinha de Óbidos, atribuindo-lhes os melhores espaços da Festa, enquanto se retira visibilidade aos Vinhos colocando-os no segundo piso? E o Vinho Licoroso de Borba não será o produto a valorizar em detrimento da Ginjinha?
O espaço atribuído ao artesanato deve continuar com o actual modelo, no qual se valoriza apenas o número de participantes ou devidamente organizado a partir de uma selecção criteriosa baseada na qualidade, autenticidade, tradicionalidade e singularidade?

Para o PCP, a marca Festa da Vinha e do Vinho está inegavelmente construída a partir dos saberes e sabores locais, factor preponderante para o desenvolvimento local sustentável. A Festa tem potencial para crescer, se apostar na diferença e não se apropriar de modelos generalistas presentes um pouco por todo o País.
A Festa tem que crescer com os produtos e os produtores do concelho e da região, com as tascas e a gastronomia local e regional, por ser isso que os visitantes procuram. Não foi, não pode ser e se depender do PCP não será, um espaço para vaidades de quem sempre criticou os seus princípios e que a pouco e pouco, graças à pouca capacidade, a vai desmantelando, descaracterizando, matando.

É com o PCP que os Borbenses podem Contar!

A Comissão Concelhia PCP

Borba, 18 de Dezembro 2009

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